Segunda, 25 Junho 2018

13/07/2014 - AS LIÇÕES DA COPA

Escrito por  Publicado em Direito e Avesso Domingo, 13 Julho 2014 13:50
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Ninguém esperava o resultado desastroso obtido pela seleção brasileira nesta Copa do Mundo no Brasil. Se nem todos acreditavam em nossa vitória na final, os meios de comunicação deixavam dúvidas em quem lê jornal, ouve rádio e vê televisão, pois diziam “ninguém nos toma essa”. Criou-se um ambiente ufanista, como em todas as copas. Mas, por ser no Brasil, a exploração do sentimento se fez de forma mais intensa.

 

O desastre das derrotas para a Alemanha (7 x 1) e Holanda (3 x 0) vão repercutir nos brasileiros como a vitória do Uruguai sobre nosso escrete (2 x 1), na Copa de 1950, primeira no Brasil. Entretanto, o renovado sentimento de frustração não impedirá novas conquistas para o futebol brasileiro. Não se esqueça que, em 12 (doze) campeonatos mundiais, de 1958 a 2002, ganhamos 5 (cinco), quase metade deles. 

 

Não é hora de buscar culpados pelo desastre ocorrido. Nem é justo  condenar o treinador, ou  qualquer jogador ou a falta de um deles, pelo insucesso. O futebol é esporte coletivo. É de todos o sucesso, não devendo ser de um ou de poucos o fracasso. Portanto, solução fácil, mas irresponsável, é encontrar um bode expiatório. Conduta lúcida é aprender com os erros da campanha de 2014. 

 

Temos os melhores jogadores do mundo, em quantidade e qualidade. Prova a afirmação o número de atletas que jogam fora de nossas fronteiras. Dos titulares da seleção, apenas um vive no Brasil, repatriado, aliás. Esta situação, contudo, não nos favorece. Ao contrário. Conter a debandada dos jovens atletas, que se encantam com as moedas dos países importadores de talento, é a primeira lição que devemos tirar desta Copa. Como não se pode impedir o jogador de emigrar, ter domicílio em seu país pelo prazo de, pelo menos,  um ano, antes do campeonato mundial, seria condição de elegibilidade para participar da seleção nacional. Com isso, o mercado da bola seria mais real, os campeonatos regional ou nacional, mais atraentes e a seleção empolgaria muito mais as torcidas dos times locais, pois voltaria a ser composta por jogadores de seus quadros.  Para mim, tinha um gosto especial torcer pelos jogadores do Flamengo, que estavam na seleção. Mas a cláusula de domicílio interessa aos negócios da FIFA? 

 

Não se forma uma seleção, em três semanas, por mais talentosos que sejam os jogadores. Porque jogam em esquadrões diferentes, com técnicos de diversas formações, atuam sob sistemas táticos diversos. Não se pode pensar em ganhar uma Copa, sem sistema de jogo. Em pouco tempo, não se modifica a forma de atuar djogador. Fica o cacoete de sua equipe. Nem mesmo os periódicos jogos da seleção servem para uniformizar o sistema tático, pois não temos uma seleção permanente e cada convocação é feita com atletas diferentes, infelizmente. Isto sem falar a grande rotatividade de técnicos. Treinar mais, é lição que se deve aprender.

 

Muitas outras lições podem ser aprendidas. Como mostrar para a torcida as reais possibilidades da seleção, sem enfeites e enganações; não prevalecer o interesse do anunciante e da tv sobre o da seleção; não transformar a seleção em meio de política eleitoral; não ser o jogador selecionado garoto propaganda; ter a mídia uma posição crítica sobre a seleção, entre outras.  

 

Certamente, em 1950, quando perdemos a Copa, houve desculpas e bode expiatório. Que não se repita o erro. Nossa seleção é muito maior que jogadores, comissão técnica e dirigentes atuaisQue não sejam sacrificados nossos atuais jogadores. Eles ainda nos darão muitas alegrias.  

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Por Carlos Augusto Macêdo Couto  

Ler 2572 vezes Última modificação em Domingo, 13 Julho 2014 13:54
Redação TVC

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