Quinta, 23 Novembro 2017

17/08/2014 - MÊS DE AGOSTO

Escrito por  Publicado em Direito e Avesso Domingo, 17 Agosto 2014 22:31
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Era para ser um mês de muitas festas. Assim denominado em homenagem ao imperador Augustus, seu próprio nome, augusto,  como adjetivo, tem uma acepção de pompa, alegria, majestade. Como substantivo, passou a ser até título dos imperadores romanos. Por ter nascido neste mês, é assim que o vejo, como portador de venturas, alegrias, felicidade.

 

                   Entretanto, na vida politica brasileira, não é visto assim. O acaso tem proporcionado fatos indeléveis em nossa história. Para mim, a morte de meu avô, Manduca Macedo, ocorrida em 15 de agosto de 1952, é um dos acontecimentos que marcaram minha infância. Tanto porque meus pais não me deixaram ir ao velório e acompanhar o enterro, por ser criança, como porque, da porta de nossa casa, vi os seus muitos  amigos, que o pranteavam.    

 

                   Dos trágicos eventos, marcantes da política brasileira, acorridos em agosto, sempre o primeiro citado é o suicídio de Getúlio Vargas. Recordo-me desse  dia 24 de agosto de 1954. Estávamos em aula, no Grupo Escolar João Pessoa, quando nossa bedel, Dona Margaridinha, informou que as aulas estavam suspensas, em razão da morte do Presidente da República. Nós, do primeiro ano, sem entender o que acontecia, saímos felizes pelo feriado. Só depois entenderíamos que a bala que matou Getúlio sacrificou, também, o aparente poder da oposição e o fez renascer, agora, como disse, na carta testamento, saindo da vida para entrar na História.

 

                   A renúncia do Presidente Jânio Quadros é outro fato sinistro,  ocorrido em agosto de 1961, no dia 25. Eleito com espetacular votação, era a esperança da população brasileira. Vencido, segundo disse, pelo que chamou de  forças ocultas, seu governo não resistiu aos compromissos que não conseguiu realizar, decepcionando, espetacularmente, a nação. Já ginasiano, empolgado com as esperanças vendidas, rendi-me  à frustração coletiva, embora não tenha perdido a convicção de que a sociedade só avança, como resultado da ação política.

 

                   Agora, dia 13, Eduardo Campos, jovem candidato a Presidente da República, perde a vida em desastre aeronáutico. Com  sua morte, passou a ser unanimidade nacional, como modelo da nova geração de políticos, nascidos após o golpe de 1964,  que, como cunhou em lapidar frase:  “Não vamos desistir do Brasil”. Nosso país, com certeza, merece a  insistência de seus filhos, políticos ou não, para que se torne a pátria da felicidade, com todos iguais, não só perante a lei, mas em educação e oportunidades.

 

                   Morrer, para alguns, é o fim da estrada. Para outros, é o início de uma nova caminhada. O primeiro destes últimos é Jesus Cristo, que anunciou sua morte e ressurreição e reescreveu a História, ainda hoje cristocêntrica. Os fatos graves de agosto, de mortes física ou política, em nossa pátria, tiveram uma característica comum, a de levar seus protagonistas para a história do país  ou das pessoas.       

 

                   O mês de agosto nos tem pregado algumas peças históricas. Entretanto, essa estória de “agosto, mês de desgosto” é apenas para pessimistas e desesperados. Nascido neste mês, ele tem me dado muitas e duradouras alegrias, embora o acaso tenha sido, muitas vezes,  impiedoso com o país. Mas, ouçam meu apelo, vamos continuar a ser felizes, também no mês de agosto.

 

                                      Por Carlos Augusto Macedo Couto

Ler 723 vezes Última modificação em Domingo, 17 Agosto 2014 22:33
Redação TVC

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