Quinta, 23 Novembro 2017

02/10/2014 - VALE QUASE TUDO

Escrito por  Publicado em Direito e Avesso Quinta, 02 Outubro 2014 08:17
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VALE QUASE TUDO

Uma pessoa, próxima de mim, comentou que não é politicamente correto assistir aos programas eleitorais, no rádio e na televisão. “- É só entrar, e eu desligo”, assevera. Alega que os candidatos fogem da realidade, apresentam propostas inexeqüíveis, enfim, demonstram que não conhecem a realidade de nosso Estado e do País. Quanto aos candidatos aos cargos proporcionais, - deputados federal e estadual -, declara que seus programas transitam entre o risível e o abominável. Conclui dizendo que é perda de tempo ouvi-los, pois tudo o que dizem ou é produção de marqueteiros ou resultado de “achismo”.

 

Não concordo com o que me disse. Ao contrário, acho que é politicamente correto acompanhar a programação de propaganda eleitoral, no rádio e na TV. E, sempre que posso, me ligo no horário eleitoral. É verdade que dizem muitas impropriedades. Entretanto, ali você encontra a nossa realidade social. Há candidatos que fazem de seu projeto eleitoral apenas um momento de exibicionismo, em busca dos seus quinze minutos de fama, de que falava Andy Warhol, artista plástico e cineasta americano. Tornam-se celebridades instantâneas, em razão do exotismo de suas propostas ou das tolices que dizem. Não estão nem aí para ganhar a eleição. Mas, muitos dos que pedem votos sabem o que dizem e apresentam propostas capazes de melhorar a vida dos cidadãos, fim último da política.

 

A propaganda eleitoral gratuita, no rádio e na TV, é uma forma de democratizar o processo eleitoral, dando a todos os candidatos oportunidade de apresentar suas propostas para a sociedade. Instituído pelo Código Eleitoral, sancionado em 1.965 (Lei nº 4.737/65), é regulamentado, agora, pela lei das eleições (Lei nº 9.504/97). É verdade que a distribuição do tempo, entre os partidos políticos, baseado no tamanho das bancadas legislativas federais, desfavorece os integrantes das pequenas legendas e o debate de idéias. Se aceitável a solução, no que toca às eleições proporcionais (deputados e vereadores), para as eleições majoritárias (presidente, governador, senador e prefeito) melhor seria a divisão equitativa do tempo.

 

No horário eleitoral gratuito, você encontra a almejada diversidade política. Não no sentido ideológico, até porque quase todos os candidatos apresentam a mesma mensagem em voga no momento. Todos fazem o mesmo discurso social progressista. Há representantes de todas as classes sociais, de todas as raças, de todos os credos políticos ou religiosos, dos grupos econômicos, de todas as comunidades. Por isso, há confusão de propostas, parecendo, até, que muitos não sabem quais as funções do cargo.

 

que persegue. Há candidatos à Câmara Federal com propostas de vereador. Todos querem trazer, a ajudar alguém a trazer dinheiro para resolver os problemas do povo maranhense. Sobre fazer propostas legislativas para adaptar a legislação à realidade social, ninguém se manifesta. Assuntos importantes, como aborto, analfabetismo, mobilidade social, eco-sistema, educação universal, consumo e tráfico de drogas, segurança pública, passam ao largo das discussões.

 

Mesmo assim, entendo que o horário eleitoral gratuito deve ser preservado, pois é um instrumento democrático de formação popular. Para mim, é uma alegria assistir ao que dizem os candidatos, pois enquanto me preocupam alguns assuntos, outros me levam às gargalhadas. Todas as campanhas têm as suas singularidades. Nesta, dois reclamos curiosos me chamaram a atenção. A do candidato que diz “Não seja cruel, vote no Manuel”, e a do que pretende acabar com a corrupção, ao insistir: “Dê um tiro na corrupção, vote no Carabina”.

 

Por Carlos Augusto Macêdo Couto

Ler 654 vezes Última modificação em Quinta, 02 Outubro 2014 08:20
Redação TVC

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