Quinta, 23 Novembro 2017

11/05/2015 - LÁGRIMAS E FLORES PARA LAURA

Escrito por  Publicado em Direito e Avesso Segunda, 11 Maio 2015 08:52
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LÁGRIMAS E FLORES PARA LAURA

 

                   Não conheci Laura. Era uma criança de 8 (oito) anos, quando morreu, em consequência de abalroamento do carro de seu pai, por motorista embriagado. Ia, com pai e irmãos, receber sua mãe no aeroporto.  Parado no sinal, o veículo foi atingido lateralmente, sacrificando a menina. Após seis dias em uti de hospital, faleceu.
 

                   O fato tomou conta da imprensa de São Luís e das redes sociais. Lamentações, as mais diversas e emocionadas, não só descreviam a beleza e a inteligência da menina, como também comentavam o sofrimento de seus pais, a perda de vida inocente, assim como a possível impunidade ao causador do acidente. Realmente, ninguém pode avaliar a dor de seus genitores. A inversão da ordem natural da vida, - de os filhos enterrarem os pais -, torna a dor mais lancinante. Aliás, sobre isso já me manifestei aqui, quando escrevi sobre a morte de Emily, amiga muito próxima de meus filhos Graco e Caio, também em acidente de automóvel.
 

                   Vi Laura em vídeo disponibilizado na internet. Fazia parte de homenagem ao dia das mães. Dizia a sua mãe “seja sempre assim” e abraçavam-se. Imagine o que sofre esta, hoje, quando escrevo, dia das mães, sem a presença e o abraço da filha, que não a recebeu no aeroporto, em razão do trágico acidente, e que nada mais lhe disse, até ser levada à sepultura. É dor indescritível. Mas que a mãe seja sempre assim, como pediu a filha.
 

                   A morte de Laura trouxe à discussão a perda de vida na infância. Não há imaginação que possa descrever o que seria o futuro da criança falecida: seus estudos, sua vida profissional, seus amores, suas prole, sua contribuição à sociedade e ao país. Enfim, todas as possibilidades de contribuir para um mundo melhor e a fraternidade entre as pessoas. Um mundo insondável.
 

                   Este fato, porém, deve ser lembrado com outro recentemente divulgado na televisão. Em maternidade de  cidade de nosso Estado, por deficiência de atendimento médico, mais de duzentas crianças morreram, ao nascer, no ano passado. Além de mais de vinte, das sobreviventes,  que perderam a visão. Infelizmente, a repercussão não foi tão intensa quanto a da morte de Laura. Na entanto, as mães dessas crianças, mortas ou sobreviventes sem visão, como a mãe de Laura, sofrem a mesma dor de não poderem ninar seus filhos, carregá-los nos braços, vê-los brincando no quintal ou na sala, nem acompanhar-lhes a vida, enquanto existam. E seus filhos não puderam, nem poderão, festejar o dia das mães.
 

                   Felicidade para todas as mulheres que realizaram o sonho de ser mãe!
 

                                               Por Carlos Augusto Macêdo Couto    

Ler 313 vezes Última modificação em Segunda, 11 Maio 2015 08:56
Redação TVC

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