Quinta, 23 Novembro 2017

19/06/2015 - SOBROU PRA QUASE TODOS

Escrito por  Publicado em Direito e Avesso Sexta, 19 Junho 2015 20:07
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SOBROU PRA QUASE TODOS
 

                   De vez em quando, surgem discussões interessantes, com posições antagônicas, que pedem uma definição da pessoa sobre uma de suas vertentes. São situações verdadeiramente maniqueístas, quando alguém acha que a verdade está consigo e, se o outro não a aceita,  passa a ser tratado como se fosse um inimigo figadal. Um verdadeiro fundamentalismo.
 

                   Isso acontece muito em matéria econômica. Há muito, verifico tal fenômeno. Alguns especialistas defendem que o crescimento do país deve se basear nas exportações, enquanto outros asseguram que o único caminho é produzir para o mercado interno. Há quem diga que desenvolvimento decorre sempre da ação governamental (os chamados de keynesianos, pelos economistas), enquanto outros juram que o estado deve ser mínimo e tudo depende da iniciativa privada (os chamados liberais). Ainda certos estudiosos pregam que o país deve acumular riqueza, para depois distribuir, enquanto outros negam o princípio, pretendendo uma política distributivista, pois só assim problemas como fome, falta de educação e moradia, etc. podem ser resolvidos.
 

                   Para quem assiste a cena de fora, tudo isso já passou pela economia de nosso país, nos últimos anos. Mesmo assim, continuamos a ter fome (muito diminuída nos últimos anos, deve ser reconhecido), educação ineficiente, estrondoso déficit habitacional, mobilidade urbana deficiente, entre outros entraves. E a economia fica num movimento pendular, oscilando entre uma posição e outra.
 

                   Não tenho dúvidas que, nesse caso, como em quase tudo na vida, aplica-se o provérbio latino: a virtude está no meio (“virtus um medio est”). Tanto é que nem as intervenções do estado, com a realização de obras e constituição de empresas, nem as privatizações de bens e serviços públicos resolveram as dificuldades da população. Durante os anos do golpe militar, acumularam-se riquezas, - colocando em prática a teoria -, mas, como disse um general, o Brasil continuou um país rico com um povo pobre. Ultimamente, praticam-se  políticas compensatórias, com o objetivo de melhorar a situação de vida de pessoas carentes ou discriminadas, tentando pagar-se a ingente dívida social da nação. Mesmo com as evidentes melhorias, não conseguiram liquidar a fome e criar um sistema de ensino que resolva de vez, ao menos, o analfabetismo. Continuamos patinando sobre os mesmos problemas.  
   

                   Ao que parece, até bem pouco, cumulavam-se duas máximas como meio de desenvolver o país. Foram adotadas políticas públicas distributivistas e estimulado o consumo interno. Comprar passou a ser a regra para todos. Comprar tudo e qualquer coisa. Para isso, a população de menor renda serviu-se dos facilitados empréstimos consignados, além das diversas formas de compra a prazo. Nessa época de aperto fiscal, surgem as dificuldades para pagar a conta.

 

                   Isso não é novidade, contudo. Lembro-me que, não muito longe, na tentativa de aumentar as exportações de produtos agrícolas (teoria do crescimento pelas exportações), foi criado o mote “plante que o  governo garante”. Muita gente produziu. Na hora da venda, o governo não garantiu coisa nenhuma.  Agora, o lema parece ser “compre que o governo garante”. Pelas notícias de aumento da inadimplência e dos cheques devolvidos, o povo de menor renda mais uma vez foi logrado: sobrou conta pra quase todos. Menos para os que sempre ganharam nesse país.
 

 

                                     Por Carlos Augusto Macedo Couto                     

 

 

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Redação TVC

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