Quinta, 23 Novembro 2017

Ponto de Vista (31)

SOBRE ÉTICA E ESTÉTICA NAS ELEIÇÕES

Escrito por Domingo, 31 Agosto 2014 22:58

Todo período eleitoral é rico por nos proporcionar – além do ufanista discurso de defesa da democracia nacional – a oportunidade de observarmos comportamentos. Dos candidatos, dos eleitores, da mídia, dos analistas, até dos “experts em marketing eleitoral”, surgidos às dezenas nesse período, podemos extrair coisas pela observação.

 

Chama a atenção nas últimas eleições a subversão de certos comportamentos éticos e estéticos em relação a eleições anteriores, principalmente em relação às primeiras experiências eleitorais pós-1988.

 

As campanhas de há alguns anos traziam fortemente marcados comportamentos diferentes dos atuais. Do lado ético: quem era de partidos emergentes, com vínculo com os movimentos sociais e vistos como mais à esquerda se orgulhava por defender causas como as dos trabalhadores, dos desassistidos, dos sem-terra, das minorias (muitas vezes majoritárias) como as mulheres, negros, homossexuais etc. Para isso, utilizavam-se discursos inflamados e tinham-se como referência de campanha as reuniões de base, o apoio de sindicalistas combativos, as organizações autônomas da sociedade.

 

Alinhar-se ao discurso dos poderosos então, nem pensar. Fazia-se exatamente o contrário. Tudo isso redundando em caminhadas, passeatas, comícios e, entre outras coisas, atividades para arrecadação de fundos de campanha como festas, almoços, livro de contribuição, rifas, sorteios e a tradicional caixinha entre amigos e simpatizantes.

 

Preponderava no discurso os posicionamentos contra a ditadura, seus efeitos e herdeiros, quase de maneira redundante. Nos últimos anos vê-se que alguns daqueles partidos já não se utilizam desses expedientes. Campanhas ricas, assessorias caríssimas, discurso de moderado a conservador, fugindo de temas hoje considerados espinhosos, como a defesa do trabalho e o combate ao conservadorismo político, e muito, muito dinheiro que não sabemos bem de onde vem para aparecer bonito na TV, elegante, com ar de burguês e para ostentar poder.

 

Ter sido aliado da ditadura em tempos outros não parece ser tão ruim assim hoje em dia para esses partidos. Não parece uma subversão ética? No mínimo, submissão.

 

Do ponto de vista estético, as mudanças são agressivas.  Via-se naqueles partidos chamados então de progressistas campanhas quase amadoras, mas marcadas pela participação de pessoas fiéis a causas e ideias. Fusquinhas, brasílias, bicicletas, carros-de-som que quebravam no caminho, faixas pintadas à mão, panfletos (o que hoje chamamos de “flyers”) mimeografados ou feitos em gráficas com menor recurso técnico e com menor preço. Juntavam-se a isso muitos sonhos, muita animação e militância. Nos retornos e esquinas candidatos, amigos, partidários e simpatizantes se desdobravam para conquistar o voto, geralmente denunciando as mazelas da política tradicional.

 

Mais um dado: quem recebia uma bandeira para agitar nas concentrações tinha que devolver ou comprometer-se a trazê-la na próxima manifestação.

 

Os candidatos que tinham carro próprio geralmente os viam reduzidos a peças de pouco valor no final da campanha, de tão desgastados. Sim, pois os carros dos candidatos também participavam da campanha. Os programas de TV e rádio eram feitos geralmente por algum militante ou simpatizante que trabalhava na área e careciam de recursos técnicos.

 

Hoje assistimos a um desfile de profissionalismo nas campanhas. Vídeos caríssimos e bem produzidos, com pessoas famosas contratadas a peso de ouro. Centenas de carros-de-som novos e com estrutura nunca antes imaginada para um partido tido como popular.

 

Farto e sofisticado material de campanha, inclusive com a projeção gráfica dos sonhos, às vezes mirabolantes e planejados apenas para causar impacto, supostos pela sociedade ou inventados por “marqueteiros”. A militância virou “militância”, entre aspas, pois foi substituída por pessoas pagas para distribuir papéis e agitar bandeiras. Percebe-se ali a cara da necessidade e não de uma opção política.

 

Contratam-se desempregados como apoiadores para lotar os retornos com as cores dos partidos e candidatos e ganham-se uns votos a mais, por razões óbvias. Ah, o material de campanha nunca será insuficiente, sempre tem mais.

 

Para ser candidato por um partido com perfil combativo era necessário ser militante. Líderes comunitários, sindicalistas vistos como honestos, pessoas ligadas às lutas sociais compunham o grupo autorizado a se candidatar. Todos eram conhecidos pela coerência e participação.

 

Os candidatos de hoje não se sabe bem quem são, claro que com exceções, bravas exceções. Basta um chefão mandar os partidos aceitarem uma filiação e o antes inadmissível acontece. Alguém se candidata pelo desejo pessoal ou do seu grupo, não mais pela coerência política.

 

Os veículos envolvidos nas campanhas são também sintomáticos da mudança. Além da farta disponibilidade de carros contratados (som, apoio etc...) percebe-se uma enorme quantidade de carrões importados, e sempre com o ar-condicionado ligado, enfeitados com a campanha de candidatos que antes diziam defender, por exemplo, os trabalhadores.

 

Chega a ser contraditório um candidato ter à sua disposição uma frota de veículos dos mais caros vendidos no país e dizer-se representante verdadeiramente popular. Que se saiba, os trabalhadores não ficaram tão ricos assim e os poderosos não viraram socialistas de uma hora para a outra.

 

Não se trata de nostalgia ou romantismo, as coisas mudaram, a tecnologia ficou mais barata e próxima de todos. O país cresceu e alguns tiveram melhorada a sua qualidade de vida do ponto de vista material. Isso tudo teria que, de maneira quase obrigatória, refletir-se nas campanhas eleitorais.

 

Mas as posturas ética e estética mudaram, evidentemente, a olhos vistos. 

 

Foto 1Carlos Agostinho Couto
Carlos Agostinho Couto é neto e filho de colinenses. Graduado em jornalismo, é professor da UFMA e interessa-se por cultura, economia, política e literatura.

A morte trágica de Eduardo Campos foi reveladora de alguns comportamentos na mídia. Especialmente nas redes sociais. A primeira delas foi a agilidade pertinente a esse tipo de veículo de comunicação; a segunda, a série de boatos e insinuações sobre as causas do acidente.

 

Como tem sido rotina, as primeiras informações sobre o acidente com o avião do presidenciável foram divulgadas através da Internet. Ainda sem saber que ele e sua equipe estavam a bordo, divulgou-se a queda de um avião na cidade de Santos, no litoral paulista. Pouco tempo depois especulou-se da sua presença, o que foi confirmado próximo ao meio-dia, menos de duas horas depois do acidente. O mundo todo ficava sabendo do falecimento do candidato e sua equipe de campanha.

 

Já citamos aqui sobre essa agilidade da Internet, sobretudo das redes sociais, como Facebook, Twitter e Instragam. E da capacidade que cada pessoa tem hoje de disseminar informações a partir de imagens gravadas em um celular. E dos riscos dessa “cobertura” do dia a dia sendo feita por quem não tem o mínimo preparo para isso. Mas há outro risco, tão ou mais grave quanto a criação de pseudos repórteres e jornalistas: a disseminação dos boatos, dos factóides, por pessoas encobertas pelo anonimato.

 

Antigamente, pra se disseminar um boato, uma fofoca, era preciso ir às praças e falar à boca miúda sobre o tal assunto. Havia também os panfletos apócrifos, aqueles falsos noticiosos impressos que falavam mal de alguém sem assinatura, sem responsável. Hoje há as redes sociais, com um poder de alcance imensuravelmente maior e mais perigoso.

 

Os boatos sobre a morte de Eduardo Campos tiveram alvo claro: tentar influenciar nas eleições que se avizinham. Não se respeitou a dor da família e dos amigos. Não se respeitou a relevância política da perda prematura de um novo líder. Os abutres da política tentaram, de todas as maneiras, revirar as vísceras de Eduardo Campos para encontrar rastos que incriminassem a presidenta Dilma Roussef.

 

Teorias da conspiração vieram à tona antes mesmo de se identificar os corpos da tragédia. A podridão do desrespeito e da baixaria exalou por todos os cantos das redes sociais. Os urubus tentaram se fartar com a tragédia.

 

 

 

marcos

Marcos Franco Couto é filho dos colinenses Washington Couto e Maria de Jesus Couto. Formado em Jornalismo pela Ufma, foi diretor de jornalismo da TV Band em Imperatriz e Editor-chefe do jornal Correio de Imperatriz. Hoje trabalha com jornalismo e redação publicitária com ênfase em marketing político.

11/08/2014 - Amigos de Colinas

Escrito por Segunda, 11 Agosto 2014 10:14
Aconteceu na sede do Colinas Clube, nos dias 25, 26 3 27 de julho, o V Encontro Anual dos Amigos de Colinas.  A reunião vem acontecendo como uma forma de congregação de conterrâneos desterrados saudosos de sua terra natal. Mas também, de forma mais tímida, como uma tentativa de contribuir com a cidade. 
 
Como um evento de congregação entre colinenses que se associam para reviver a amizade do encontro, o evento foi extraordinário. Iniciou com um café da manhã em que se pôde rever colinenses memoráveis e desfrutar de uma mesa típica, farta, que ia do “pão de ló” ao  “grolado”. No dia seguinte, um baile maravilhoso que relembrou os clássicos dias do Colinas Clube, com uma banda competente e os tradicionais pés de valsa. No encerramento, uma celebração religiosa e um almoço típico fizeram o pano de fundo da aura fraterna e afetuosa que envolveu a todos.
 
Como contribuição para a cidade, o evento talvez tenha tido na primeira noite o seu ponto alto. Tivemos uma linda apresentação da arte popular e tradicional colinense que foi do Reisado ao Bumba Boi (com sotaque de Colinas) passando por uma homenagem a Luís Gonzaga, em memória de José Maria Lima. Contribuição fundamental para não esquecermos quem somos. Foi também lançada nesta noite a pedra fundamental da Academia de Artes, Letras e História de Colinas. No dia seguinte, ainda houve o Mutirão da Amizade, com assistência à higiene bucal de crianças do Bairro Guanabara e entrega de cestas básicas de kits de higiene. 
 
Na avaliação dos presentes o evento foi um sucesso, considerando o alcance de suas pretensões. Com sua sugestiva sigla, a Associação dos Amigos de Colinas - AACol  está,  de fato, de parabéns. A iniciativa é excelente e já dura o suficiente para gozar de merecida credibilidade. 
 
Acrescentaríamos aqui duas modestas contribuições. A primeira diz respeito à própria Associação. Acho que seria interessante manter um calendário anual de atividades, que envolvesse os associados e permitisse uma presença mais marcante no município. Nesse aspecto, a manutenção de convênios com outras associações civis, como o Colinas Clube, o grupo Mexa-se e a fundação Agostinho Couto. Talvez fosse também salutar a incorporação de outras gerações de colinenses nos próximos eventos.
 
A segunda opinião diz respeito à forma da associação contribuir com a cidade. Parece-me que o Encontro Anual poderia ter um caráter mais reflexivo sobre a realidade do município. Talvez fosse o caso de eleger um tema por ano (cultura, esporte, o rio Itapecuru, etc.) e tentar elaborar um documento anual a partir do qual a Associação iria trabalhar para executar ações no sentido de sedimentar instituições e ações de mais longo prazo.
 
O excelente evento realizado este ano faz crer na potencia criadora e realizadora da AAcol e permite sonhar com a realização de um evento mais amplo, participativo e que trace rumos bem definidos e contribuições valiosas para Colinas. 
 

 A democracia é uma das formas de representação. Muitos a consideram a ideal, mas isso não significa que não enfrente problemas. 

 

      Não é de hoje que o processo democrático real, prático, é maculado por posturas conservadoras, autoritárias e/ou desonestas. Antidemocráticas na essência, algumas ações que ocorrem em períodos eleitorais passam por cima da mais óbvia tradição de respeito ao que desejam os cidadãos, ou necessitam, no período eleitoral. 

 

      Já se ouviu falar (e foi visto também) em troca de votos por camisetas, telhas, tijolos, dentaduras, remédios, palha, subempregos...sem falarmos nos ostentações determinadas pelos showmícios, distribuição de combustível, farto material de propaganda e acordos nada transparentes com líderes locais (políticos, comunitários, religiosos etc) para garantir o apoio aos mais diversos candidatos para todos os cargos em disputa. 

 

      O Estado - instituição abstrata, convencionada e arbitrária - teve que intervir, por meio de alterações na legislação eleitoral, no âmbito do legislativo, ou de normas de conduta no período eleitoral, por meio do judiciário para tentar diminuir esse tipo de conduta e tornar os pleitos menos díspares, principalmente no tocante à diferença de capacidade de investimento financeiro existente entre muitos dos candidatos. Uns riquíssimos, outros aventureiros, e ainda alguns honestamente sem recursos. 

 

      Cada vez mais a propaganda eleitoral sofre a interferência do Estado na sua regulação. Distribuição de brindes já não é possível, troca de favores e produtos pelo voto também não, shows com artistas famosos idem. Aí entram também as restrições ao horário em que é possível se fazer campanha na rua, volume dos carros de som e contra a sujeira deixada nas paredes e logradouros públicos. 

 

      Também pode ser listada a iniciativa de se cadastrar biometricamente os eleitores na tentativa de reduzir as fraudes, no caso a ideológica, quando uma pessoa se faz passar por outra para enganar a mesa eleitoral, ou quando alguém envolvido no processo de captação de votos usa de má fé e vota em lugar de ausentes. 

 

      As medidas parecem corretas, se pensarmos que muitos dos candidatos não demonstraram nenhum pudor em agir publicamente como negociadores de votos, deixando projetos e propostas em último grau. Mas fica uma pergunta: se o Estado precisa agir para regular a democracia, desrespeitada pelos próprios participantes do processo, esse é o modelo ideal? 

 

      Reside aí uma grande questão, que tem resposta para todos os gostos. Fortalecer excessivamente o Estado parece algo que concorre para enfraquecer a democracia, no sentido de que o excesso de poder é um passo para o autoritarismo, mas devemos lembrar que o executivo, o legislativo e o judiciário (base do Estado, no caso do Brasil) são compostos por pessoas que representam a população e que, pelo menos em tese, deveriam lutar pelo aperfeiçoamento do sistema contra todo tipo de corrupção e desmando com a coisa pública. Embora escolhidos de forma diferente - pela eleição no caso do executivo e do legislativo e por concurso público em boa parte do judiciário - os líderes do Estado representam o povo e devem ser por eles cobrados, nada mais democrático que isso, na teoria. 

 

      Portanto, enquanto persistirem as más condutas, quer parecer que a ação do Estado será necessária para a regulação democrática, até que candidatos e eleitores aprendam que sua conduta deve ser orientada por valores éticos, tanto para os imediatamente próximos quanto para as relações sociais e políticas. 

 

      É esperar para ver se esse dia vai chegar. 

 

 

Foto 1Carlos Agostinho Couto
Carlos Agostinho Couto é neto e filho de colinenses. Graduado em jornalismo, é professor da UFMA e interessa-se por cultura, economia, política e literatura.

 

É uma grande contradição. O que antes a grande mídia e os partidos de oposição pregavam como uma grande derrota, um caos, o retrato da incompetência, mostrou-se como uma das melhores copas de futebol de todos os tempos. A copa das copas. 

Mesmo com os atrasos e o cancelamento de importantes obras de mobilidade urbana, a Copa Fifa 2014 foi um sucesso. Mesmo com a ameaça de manifestações e conflitos com as polícias, o evento foi elogiado, por sua organização e, melhor ainda, pela qualidade do futebol apresentado pelas equipes, retratada pelo grande número de gols em cada partida. 

 

O Brasil, como até o reino vegetal sabe, foi duramente castigado nas semininais contra a organizada e centrada equipe da Alemanha. A maior derrota da seleção canarinho em 100 anos. Humilhação, vergonha. Mas, e agora? 

 

A crise no futebol nacional não é recente. E não é apenas na seleção brasileira. Os clubes e a própria CBF são alvo constante de denúncias de corrupção, má gestão, esquemas, compra de resultados, viradas de mesa. O ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira não resistiu e renunciou diante das denúncias de corrupção e desvio de verbas de milhões de dólares. 

 

O problema maior é que a CBF – como sempre disse o Ricardo Teixeira – é uma entidade privada, portanto não sujeita ao rigor das fiscalizações dos tribunais de contas brasileiros. “O que fazemos com o dinheiro é problema nosso”, alardeava. Mas não é bem assim. 

 

Primeiro que o futebol não é uma entidade privada. Sobretudo no Brasil, onde é paixão nacional. Praças, ruas, várzeas, quadras, quintais, tudo é local pra se bater uma pelada desde crianças. Em Colinas, quando ia com meu pai e meus irmãos passar as férias de julho, batíamos muita pelada na prainha à beira do Itapecuru. Jogávamos tanto na areia como na água. Uma folia. 

 

Além desse lado mais lúdico, o futebol sempre recebeu benesses e verbas públicas. A começar que a maioria dos estádios de futebol são municipais ou estaduais. Poucos são os clubes que têm suas próprias estruturas. Há ainda Leis, Decretos, Medidas, que vez por outra socorrem os clubes com isenção de impostos, socorro financeiro, moratórias. 

 

O deputado federal Romário (PSB/RJ), ídolo de todos nós, trava uma luta ferrenha pela moralização do futebol nacional. Já propôs a CPI da CBF e tem um projeto que torna o futebol brasileiro Patrimônio Imaterial Nacional. Com isso, a fiscalização dos recursos da CBF e dos clubes seria, também, papel dos órgãos de fiscalização do Estado, como o Tribunal de Contas da União. A luta é difícil. Os deputados federais preferem votar com a CBF e impedir esses avanços. Somente a partir da moralização financeira do futebol nacional é que podemos pensar em evoluir também dentro dos campos.

 

 

marcos

Marcos Franco Couto é filho dos colinenses Washington Couto e Maria de Jesus Couto. Formado em Jornalismo pela Ufma, foi diretor de jornalismo da TV Band em Imperatriz e Editor-chefe do jornal Correio de Imperatriz. Hoje trabalha com jornalismo e redação publicitária com ênfase em marketing político.

07/07/2014 - Estúpido futebol

Escrito por Segunda, 07 Julho 2014 15:34
Atribui-se ao escritor argentino Luiz Borges a seguinte afirmação: “o futebol é universal porque a estupidez humana é universal”. Não posso confirmar a veracidade, mas gostei da frase. Talvez, por isso mesmo, por comportar a estupidez humana, o futebol seja o mais inquietante e humano dos esportes. De fato, toda bola suja, pelada e descalça de campinho de quintal carrega uma teoria redondinha do universo. Para Pascal "O Universo é uma esfera infinita cujo centro está em toda parte e a circunferência em parte nenhuma.” Lendo a afirmação de Borges pelo avesso, chega-se a que a estupidez humana é universal e infinita como uma bola de futebol.
 
“É milenar, é milenar, a invenção do futebol” diz o samba da Beija-Flor de Nilópolis. A antiguidade da invenção talvez tenha deixado a impressão em Borges de que estupidez humana tenha nascido com o futebol. Desconfio, no entanto, que esta seja anterior ao próprio homem. Um atributo da vida, da biologia. O homem nasce mesmo é com o futebol. O futebol é apenas tão redondamente estúpido, antigo e universal quanto o homem humano de cada um de nós. “Nonada. O diabo não há! É o que eu digo, se for... Existe é o homem humano. Travessia ”(Guimarães Rosa). 
 
               Se precisássemos personalizar a estupidez do futebol, encontraríamos no árbitro a figura perfeita. Que milionário se prestaria a ser xingado por uma multidão, embaixo de sol a pino, metendo-se voluntariamente numa disputa apaixonada entre duas nações? O senhor Jonas Eriksson, árbitro sueco da partida Brasil x Camarões. A máxima nietzsheana "não existem fatos, apenas interpretações" deveria ser o lema dos árbitros, esses paradigmas da estupidez humana. Tudo pelo poder. Na trama da disputa é dos “senhores de preto” o poder supremo da interpretação, da construção da verdade. Tornamo-nos súditos no reinado do apito. Curvados perante reis de Suécia, de Espanha, ou da Cochinchina, aceitamos com resignação “erros" (interpretações) que muito nos desagradam. 
 
Acontece que, apesar de todo poder, os árbitros continuam estupidamente humanos. Simplesmente, não enxergam direito. As câmeras veem tudo, os árbitros não. Comete-se o zotismo de compará-los. Câmeras, contudo, só servem aos críticos. É coisa para depois do espetáculo. Na boca da cena, o poder do apito continua absoluto. Alguns jogadores conhecem bem a cegueira destes senhores e dela se utilizam. No jogo contra a Colômbia o jogador colombiano fez um golpe de luta livre parecer um acidente de trabalho. Não pretendemos demonizar o jogador colombiano. Há quem diga que a entrada com o joelho na coluna vertebral de Neymar foi apenas para fazer a falta, matar a jogada. Mas é preciso saber distinguir entre estupidez e violência. Presumir um lance desse como normal é substituir a primeira pela segunda. O árbitro está ali para preservar a poesia do futebol, a integridade dos craques, com tudo o que esses seres têm de parvos. 
 
A violência não pode ser acolhida no futebol com cordialidade. Seria a intromissão da estupidez da vida real na estupidez do esporte. Não podemos aceitar que a violência invada sorrateira este setor sublime da cultura, suporte da estupidez humana. Se matarmos o craque (ainda que metaforicamente), choraremos como carpideiras no velório da poesia. Mais do que punir o jogador colombiano é preciso medidas para coibir esse tipo de entrada, como se fez com o carrinho por trás. 
 
Definitivamente, não só o time da Espanha abdicou de seu reinado na Copa. O árbitro espanhol também esqueceu as cores de sua bandeira e nelas os cartões. Uma estupidez!!!
 

30/06/2014 - COMUNICAÇÃO NO BRASIL

Escrito por Segunda, 30 Junho 2014 09:28

COMUNICAÇÃO NO BRASIL

Democratizar é Impossível sem a Mobilização da Sociedade

 

            Em tempos aprovação pelo Congresso Nacional do Marco Civil da Internet no Brasil, no qual evidenciaram-se os interesses de provedores de acesso de um lado e de usuários de outro, percebe-se que a questão da democratização da comunicação no país ainda está bem longe de uma equação, principalmente no que diz respeito à maior participação da sociedade em processos de elaboração e emissão de conteúdos, controle social sobre os oligopólios midiáticos, propriedade cruzada de meios de comunicação em mãos de poucas pessoas e, entre tantas outras coisas, o controle, principalmente regional, dos meios de comunicação por políticos e seus representantes.

 

            O governo federal já demonstrou que, provavelmente por causa de sua política de alianças, não pretende avançar nessa área.

 

            Apesar de o governo ter promovido uma Conferência Nacional de Comunicação (realizada de 14 a 17 de dezembro de 2009 em Brasília), durante a qual discutiram-se temas relativos à questão, na prática nada de relevante foi encaminhado, a despeito das resoluções extraídas daquele encontro.

 

            O projeto de regulamentação da área de comunicação no Brasil encaminhado pelo então secretário de Comunicação da Presidência, Franklin Martins, ao Ministério das Comunicações não está sendo discutido abertamente. Ao mesmo tempo em que o governo não tem demonstrado claramente seu posicionamento em relação aos assuntos mais polêmicos, como a existência ou não de normas específicas para os conteúdos dos canais.

 

            Em entrevista concedida ao jornal Folha de São Paulo, o presidente (Rui Falcão) do Partido dos Trabalhadores, ao qual a presidente da República é filiada e que lidera a aliança que controla o poder no Brasil há mais de 10 anos, afirmou que o governo conduzido por uma sua militante não encaminhará proposta de organização da regulamentação da mídia. Segundo ele, "neste mandato, proposta provinda do Executivo não haverá, pelo que eu entendi. [...] Nós vamos fazer um seminário com outras entidades, ver qual é a melhor estratégia" (Proposta de regular mídia não virá do governo, diz presidente do PT, Folha de S. Paulo de 22/03/2013). O jornal ainda informa, referindo-se a uma decisão da presidente que: “O PT defende há anos a aprovação de um marco regulatório da mídia. No governo Lula, o ex-ministro da Comunicação Social Franklin Martins elaborou um projeto, mas Dilma decidiu não levar o debate para frente”, embora esteja referindo-se a um ato, acima indicado, do ex-secretário de Comunicação da Presidência da República, o cargo verdadeiramente ocupado por Franklin Martins.

 

            Ratificando a postura aqui indicada, o atual ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, em uma espécie de resposta à repercussão dada à informação de que o governo não daria continuidade a projetos de atualização da regulação da mídia, acaba por confirmar a decisão, apesar de o ministro afirmar que não se contrapõe à regulação: “Mas a primeira prioridade vai ser fazer um grande plano de investimento de infraestrutura de telecomunicações” (Em São Paulo, Paulo Bernardo defende a regulação da mídia, O Globo de 02/04/2013).

 

            Tais indicativos, absolutamente coerentes com a postura subserviente dos governos brasileiros desde a redemocratização, apontam para a necessidade da mobilização social para tentar-se implementar um marco regulatório para a área de comunicação que atenda aos interesses da sociedade, tão debatidos em eventos sociais e acadêmicos. Agindo como refém dos seus aliados – porque parte considerável dos apoiadores do governo no Congresso, por exemplo, são proprietários de veículos de comunicação – o governo tergiversa, mas isso deve servir de incentivo à organização da sociedade em prol de um marco regulatório democrático para a comunicação, assim como aconteceu com o que conhecemos como Lei da Ficha Limpa que, suspeita-se, nunca passaria se não fosse a pressão popular.

 

            Nesse sentido, apoiar o Projeto de Lei de Iniciativa Popular das Comunicações, a Lei da Mídia Democrática, que pretende regulamentar os artigos da Constituição referentes à radiodifusão, deve ser considerada acertada e coerente com os anseios do movimento social brasileiro.

 

            Não se pode mais conceber que a falta de regulamentação de alguns dispositivos constitucionais continue servindo de desculpa (ou escudo) para a manutenção do modelo brasileiro de radiodifusão, claramente baseado no formato americano, de ampla liberdade para poucos setores da sociedade (alguns empresários e políticos, por exemplo) e restrições à maior parte da população (como no caso da perseguição às rádios comunitárias que não sejam aliadas dos poderosos).

 

            De inciativa do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e outras entidades, o Projeto de Lei parte de premissas básicas, como o direito à liberdade de expressão (hoje cerceada pela vontade exclusiva dos “donos” de concessões); pluralismo de ideias, fomento à cultura nacional, promoção da diversidade regional etc, até aspectos essenciais para a mudança do modelo brasileiro atual: vertical e antidemocrático. Como exemplo temos a proposta de complementaridade entre os sistemas privado, estatal e público. No modelo atual, o sistema privado explora canais concedidos pelo governo estritamente com interesse comercial e/ou de manutenção das estruturas político-econômicas de seus “proprietários”; o sistema estatal, concebido para dar publicidade a ações do Estado (executivo, legislativo e judiciário) fica sob o jugo dos seus dirigentes, que quase sempre pouco mais fazem do que simples propaganda governamental, no caso do executivo. Há ainda o caso de dirigentes de órgãos públicos que utilizam as ferramentas comunicacionais estatais para benefício da própria imagem.

 

            Diz o Projeto de Lei que o sistema público “compreende as emissoras de caráter público ou associativo comunitário, geridas de maneira participativa, a partir da possibilidade de acesso dos cidadãos a suas estruturas dirigentes e submetidas a regras democráticas de gestão”. Isso, por si só, já valeria o apoio ao Projeto e a expectativa de sua aprovação, mas ele avança ainda mais, como no caso da proibição de arrendamento de horários de emissoras de radiodifusão ou da comercialização de outorgas, coisas que ferem gravemente o princípio de exploração de concessões públicas, entre outros aspectos.

 

            Cabe aos movimentos sociais, sindicatos incluídos, apoiar o Projeto e a criação de estratégias de divulgação e conquista de adesões, visto que o modelo comunicacional atual permanecerá inalterado se esperarem-se atitudes progressistas dos atuais concessionários e da estrutura de poder em vigor.

Foto 1Carlos Agostinho Couto
Carlos Agostinho Couto é neto e filho de colinenses. Graduado em jornalismo, é professor da UFMA e interessa-se por cultura, economia, política e literatura.

 

 

SOBRE OS PELEGOS E COPA DO MUNDO 2014

 

                                                      A grande mídia brasileira atravessou um grande dilema nos dias que antecederam a abertura da Copa do Mundo Fifa 2014. Sobretudo a Rede Globo, a que mais fatura nas transmissões dos jogos com seus patrocinadores milionários. O dilema é: apoiamos a copa e ganhamos mais dinheiro ou não apoiamos e tentamos ganhar na política.

 

         A escolha do Brasil como país-sede deu-se em 2007, após um processo que se iniciou em 2003, com a Conmebol, a Confederação Sul-Americana apontando Brasil, Argentina e Colômbia como países interessados. Em 2006 a Conmebol fechou com o Brasil. Em outubro de 2007 a Fifa confirmou a Copa 2014 no Brasil.

 

         Foi uma euforia nacional. Finalmente, após 64 longo anos, o país do futebol iria voltar a sediar uma das mais importantes competições esportistas mundiais. Ninguém reclamou. Pelo contrário, foi comoção geral. De trabalhadores a empresários, de ricos a pobres, políticos e iniciativa privada, todos viram ali grandes oportunidades.

 

         A mídia nacional, assunto dessas linhas, viu grandes oportunidades de aumentar as receitas. Para se ter uma ideia, a Fifa divulgou nota (com base em informações da Fipe), que a Copa 2014 traria receitas de mais de 27 bilhões de dólares ao Brasil. E o documento também diz que a maior parte dos 2 bilhões de dólares, que a entidade diz ter gasto nesta copa, vem da venda dos direitos de transmissão dos jogos.

 

         Eis a questão: como a Copa 2014 se dá em ano eleitoral no Brasil, a elite econômica não poderia deixar que um eventual sucesso de nossa seleção acabasse influenciando no otimismo nacional e influenciando nas urnas. Após 12 anos do governo que inverteu as prioridades nacionais, essas elites querem retomar o planalto central para voltar a governar para eles mesmos.

 

         E a poderosa Globo fica ali, entre a cruz e a espada, tentando achar um jeito de se dar bem nos dois lados. Incentiva os protestos contra a realização da Copa, cobrindo manifestações de rua (vejam só!) e dando eco às suas lideranças políticas conservadoras. Mas também tenta dizer que a Copa é uma maravilha de se ver, pra poder ter altos índices de audiência e de receita com os patrocínios.

 

         A posição da Globo lembra uma expressão usada pelos sindicalistas de esquerda que já caiu em desuso: o pelego. Aquela pessoa que fica no meio, entre um lado e outro, amaciando o lombo do animal enquanto a cela lhe é colocada para que alguém o monte.

 

marcos

Marcos Franco Couto é filho dos colinenses Washington Couto e Maria de Jesus Couto. Formado em Jornalismo pela Ufma, foi diretor de jornalismo da TV Band em Imperatriz e Editor-chefe do jornal Correio de Imperatriz. Hoje trabalha com jornalismo e redação publicitária com ênfase em marketing político.

02/06/2014 - Estatística do coice

Escrito por Segunda, 02 Junho 2014 14:12

Vejam o burro. Que mansidão! Que filantropia! Esse puxa a carroça que nos traz a água, faz andar a nora, e muitas vezes o genro, carrega fruta, carvão e hortaliças, - puxa o bond, coisas todas úteis e necessárias. No meio de tudo isso apanha e não se volta contra quem lhe dá. Dizem que é teimoso. Pode ser; algum defeito é natural que tenha um animal de tantos e tão variados méritos. Mas ser teimoso é algum pecado mortal? Além de teimoso, escoiceia alguma vez; mas o coice, que no cavalo é perversidade, no burro é um argumento, ultima ratio.

 

Esse é o trecho de uma crônica de Machado de Assis, datada de 1876. Pela atualidade, bem serve de epígrafe ao presente artigo, pois alude à questão aqui abordada. Questões que giram estonteantes em torno da leitura no Brasil.

 

E por ainda se falar em burro, embora a motocicleta esteja a sepultar o animal, quero viva a utopia de suplantar o símbolo da ignorância por meio do livro. A 3ª edição da pesquisa Retratos da leitura no Brasil, entretanto, aponta que temos 88 milhões de leitores (pessoas que teriam lido pelo menos um livro nos três meses anteriores à pesquisa), apenas 50% população. Como Machado, sou afeito a estatísticas, pelos mesmos argumentos com que o grande escritor defende os números: “Eles dizem as coisas pelo seu nome, às vezes um nome feio, mas não havendo outro, não o escolhem. São sinceros, francos, ingênuos”.

 

Assim, se considerarmos que hoje o Brasil tem plenas condições produtivas para avançar economicamente e socialmente. Que somos a 6ª economia do mundo e que vivemos sob uma constituição democrática, conquanto todos concordem que as luzes estejam apagadas na política. É fato que nossa constituição garante ao povo o poder de decidir seu destino, por mais que essa escolha possa desagradar a muitas autoridades intelectuais.

 

Baseados no pressuposto de que boas escolhas não devem prescindir inteiramente da razão e do conhecimento, nos perguntamos: nas próximas eleições, o eleitor (não necessariamente leitor) terá realmente conhecimento da realidade brasileira para escolher governantes, legisladores, projetos que apontem para a superação da incredulidade política e dos problemas sociais que vivenciamos?

 

            A essa pergunta os números responderiam ainda com candura (apenas um pouco diferente do que responderam a Machado no Império): a nação não quer ler. Embora relativamente alfabetizada (a taxa de analfabetismo caiu consideravelmente nos últimos 20 anos, para os atuais 8,7%) 50% da população não lê. Simplesmente, porque não tem interesse, 70% dos entrevistados assim responderam à pesquisa. Mesmo desconsiderando o fato de que se dizer leitor não é realmente merecer esse título, o indicador de 50% de eleitores não leitores não prenuncia mudanças políticas encorajadoras.  

 

Ora, abrir mão do livro representa, no mínimo, abrir mão de um método milenar, talvez o mais eficaz até agora, de conhecimento da realidade. Fica-se refém de histórias de Sherazade contadas na televisão, onde a popularidade submete a ética à retórica. Enfim, se a nação não sabe ler, não sabe ler a nação. 50% dos cidadãos “votam do mesmo modo que respiram: sem saber porque, nem o quê. Votam como vão à festa”, podemos afirmar com Machado.

 

 Sem a interdiscursividade própria da leitura, os discursos soam como verdades monolíticas, incontestáveis, mesmo que não passem de embustes. Sem a leitura, na verdade, sequer dá para reconhecer um plágio (muito menos para plagiar um grande autor). Mesmo a estatística, sendo informação pura e simples, em geral é lida de forma distinta, de acordo com a tonalidade e formação política do leitor. Portanto, contra a evidente autoridade dos números defendida por Machado de Assis, restaria ainda a interpretação, a leitura. Aos que desprezam a leitura, porém, resta apenas a ultima ratio, o coice.

 

25/05/2014 - PROXIMIDADE E DISTÂNCIA

Escrito por Domingo, 25 Maio 2014 12:47

Ela era uma das garotas mais interessantes da turma. Simpática, algo atenciosa, competente. Não demorou para ele apaixonar-se a ponto de conseguir o seu número de telefone e ligar de vez em quando para perguntar, às vezes sem muita necessidade, sobre as coisas da faculdade. Mas faltava-lhe coragem para uma atitude mais ousada.

 

         Até que, um dia, encorajou-se e decidiu falar com ela, assim que chegasse ao campus, e declarar o seu amor.

 

         Ficou ali próximo ao portão de entrada para não falhar o plano. Ela chegou, o coração dele acelerou e, meio titubeante, avançou em sua direção. Seria agora. Ela, entretanto, nem viu o rapaz. Ou talvez tenha visto, mas não ligou, pois falava com uma velha amiga, que hoje mora em outra cidade, ao celular. Assim estava, assim continuou – o papo parecia bom – até entrar na sala de aula, onde a presença dos colegas não permitiria que ele se declarasse. Tinha tomado coragem, mas nem tanto.

 

         Ele, meio atônito, passou a divagar.

 

As novas tecnologias têm possibilitado ao homem da nossa época uma série de oportunidades antes impensadas. E não faz tanto tempo assim que o plástico, a telefonia de amplo acesso, os satélites, os microchips, os computadores pessoais, entre tantas outras maravilhas tecnológicas, faziam parte do universo prático de poucos e do sonho de muitos.

 

         Hoje, temos que admitir, essas coisas fazem parte do dia-a-dia de todos. Para uma criança de dez anos, ou um pouco mais, o mundo não existira sem computadores.  Lembrou de uma sobrinha de seis anos que perguntou à mãe se na “época dela” os computadores eram feitos de “madeira e palha”, tal é a relação que os mais jovens têm com as benesses modernas.

 

         Nem tudo são flores, no entanto, diria o poeta. Uma dessas maravilhas parece ter um efeito paradoxal. Ao mesmo tempo em que aproxima, distancia: o telefone celular. Todos já notamos as suas qualidades, entre elas a mobilidade, a possibilidade de acompanharmos os nossos à distância, a velocidade com que informamos, e somos informados, sobre coisas boas e ruins, mas coisas da vida...

 

         Mas e ela, que estava ali tão próxima fisicamente dele, utilizava-se da tecnologia para ficar próxima virtualmente de outra pessoa. A mesma tecnologia que permitiu que ela falasse com uma amiga tão distante impediu aquele primeiro contato mais próximo: a sua declaração. Será que ele ainda teria coragem? Melhor declarar-se pelo celular.

 

Por Carlos Agostinho Couto

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